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Em cima do skate, brasileiros fazem missões no Egito: "Eles estão com a mente mais aberta para nos ouvir"

 O Egito é uma nação de portas fechadas para o Evangelho — com uma população de mais de 82 milhões de muçulmanos, apenas 10 milhões deles representam a fé em Jesus Cristo. No entanto, um grupo cristão de skatistas brasileiros resolveu usar o esporte para romper essa barreira, e apresentar o amor de Deus a jovens e crianças que se encantaram pelas rodinhas sob a madeira.
A organização Christian Skaters (Cristãos Skatistas, em tradução) foi idealizada por um skatista americano, e hoje se espalha por diversos países do mundo, como Etiópia, Colômbia, Chile, Alemanha, Honduras, África do Sul e Austrália. No Brasil, a ONG é presidida pelo skatista Eduardo Franchi, que é pastor da Igreja Batista, mas garante que o grupo é aberto a todas as denominações evangélicas.
Franchi viaja ao Egito há dez anos a fim de implementar o Evangelho através do esporte no país. "Tenho um ministério fundamentado lá. Tenho pista de skate, tenho o Skate Park. Por se tratar de um país muçulmano, para entrarmos com o Evangelho é muito difícil. Através do skate, temos alcançado um bom número de jovens naquele lugar", disse ele em entrevista ao Guiame durante o 4º Salão Internacional Gospel.
O Egito é classificado como o 23º país que mais persegue cristãos no mundo, de acordo com um levantamento feito pela organização missionária Portas Abertas, e ataques a fé cristã são frequentes nessa nação. O mais conhecido foi a morte de 21 cristãos coptas egípcios pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que degolou todos eles em uma praia próximo a Trípoli, na Líbia, no início do ano.
No entanto, Franchi relata que existem grandes oportunidades para compartilhar a Palavra de Deus para o povo egípcio. "O Egito, hoje, está vivendo um tempo maravilhoso, como se tivesse sido passado o arado e agora estivéssemos no tempo de jogar as sementes. Eles passaram por muitas revoluções e hoje estão com a mente muito aberta, apesar de serem muçulmanos. Através disso, a gente junta uma galera para compartilhar de Jesus, o que Ele fez na nossa vida e o que Ele pode fazer na vida deles também."
No último mês, em viagem ao Egito, Franchi pôde distribuir Bíblias na língua árabe para os egípcios, junto com outros missionários. "A gente pôde ter um tempo maravilhoso com os skatistas, andando com eles nas ruas. Tivemos grandes oportunidades de pregar a Palavra mesmo", conta ele.
Por outro lado, Franchi se queixa da falta de pessoas no campo missionário. "A minha esperança e o nosso desafio para o Christian Skaters é levar pessoas para o Egito. Nesse momento, digo que não preciso de dinheiro, mas de gente para ir comigo e ajudar a lançar a Palavra lá", comenta.

Skate marginalizado no Egito
Há alguns anos, o skate era marginalizado no Brasil. O que hoje é considerado um esporte, antes era visto como um "passa-tempo" para jovens rebeldes e viciados em drogas. No Egito, por alguns o skate é visto nesse mesmo estágio, outros mal conhecem o esporte.

"Muita gente ainda nem sabe o que é skate. Eles vêem a 'madeirinha' e as 'rodinhas' embaixo e não entendem, não sabem o que é. Mas chama muita atenção", relata Franchi. O objetivo do grupo, além de pregar o Evangelho, é apresentar a proposta do skate no Egito.

"Estamos querendo construir uma nova história para o skate no Egito, mostrando que o skate é um esporte, e não um brinquedo de 'maloqueiro', de gente que usa drogas. Queremos mudar a mentalidade logo no início da história do skate no Egito, e a gente já está fazendo isso", ressalta o pastor.
 

Resistência Religiosa
Em Janeiro de 2016, o grupo pretende ir até o Egito, mas dessa vez com mais ousadia. Segundo planos de Franchi, todos irão uniformizados com camisetas que exibirão o logo Christian Skaters. "Isso é para que eles saibam que somos skatistas cristãos, que não estamos indo lá apenas para pregar a Palavra, mas para ter um relacionamento com eles. Acredito que isso não vai nos impedir de estar com aquele pessoal, levando o nome do Christian Skaters, apesar de a maioria serem muçulmanos."
Apesar de enxergarem novas oportunidades no Egito, o grupo já enfrentou muita resistência. Em 2011, um Skate Park foi construído em um bairro muçulmano do país, mas a polícia local fechou o espaço. Na ocasião, o líder do espaço que era egípcio, foi preso e permaneceu em um interrogatório por 8 horas.
"Eles queriam saber que tipo de trabalho a gente fazia lá. Foi dito que a gente fazia o trabalho do esporte, que damos oportunidade para crianças muito pobres, que não tinham oportunidade de nada e que o espaço estava dando oportunidade a elas, apenas isso", relatou ele.
No entanto, as autoridades insistiram que os esportistas estavam pregando o Evangelho de Jesus e fecharam nosso espaço. Então o grupo transferiu suas atividades para outro lugar. Mas isso não parou a missão do Christian Skaters. "Quando a gente sobe num carrinho, fazemos um 'rolê' e levamos pessoas para andar com a gente lá, é tremendo. As crianças ficam alucinadas, e é onde temos a oportunidade de entrar com a Palavra e mostrar o Deus que a gente serve."

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